sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O Caminho é esse...


O CAMINHO DA RECUPERAÇÃO É A HUMILHAÇÃO
João 21.1-25
"Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos." Eduardo Galeano

Durante sua convivência com Jesus, Pedro fez juras de amor e dedicação que impressionavam. O problema é que essas promessas ficaram apenas nas palavras. Quando Jesus mais precisou do apoio, da consideração e da ajuda de Pedro, este refugou e negou toda aquela dedicação que lhe havia prometido. Jesus foi abandonado também pelos outros discípulos.
Para tornar o caso ainda mais constrangedor, Jesus predisse que Pedro o negaria por três vezes. Dito e feito. Toda aquela situação ficou marcada na vida de Pedro. Jesus estava morto; como consertar agora?
Pedro não contava com a ressurreição. Apesar de ter sido anunciada por Jesus, os discípulos não entendiam ou não acreditavam nessa possibilidade.
Após a ressurreição, Jesus se encontrou com os discípulos, junto ao mar de Tiberiades ou mar da Galiléia, região de origem de boa parte dos discípulos, inclusive Pedro.
O encontro foi marcante: Jesus efetuou o milagre da pesca, os recebeu na praia, comeu com eles. Foi um encontro de restauração.
Desse encontro, podemos destacar a confrontação de Jesus com Pedro.
Numa perspectiva humana, agora poderia ser a hora da revanche.
“Que coisa, hem, Pedro!?”
“Que papelão!”
“Onde foram parar todas suas juras e compromissos para comigo?”
Jesus poderia estar magoado e se sentindo traído e abandonado por aquele que se dizia um fiel aliado.
Mas isso não aconteceu; pelo contrário!
Jesus teve uma atitude de restauração para com Pedro: questionou, confrontou, orientou e buscou um caminho juntamente com o apóstolo. Um caminho que o restaurasse emocional e ministerialmente, e o tornasse pronto a dar continuidade ao ministério que Deus lhe destinara.
Essa experiência de Pedro nos leva a algumas considerações a respeito da vida e do ministério cristão e nos ajuda a encontrar os caminhos para a restauração e o conserto daquilo que podemos chamar de desastres da vida.

1.DESASTRES NA VIDA

Na caminhada cristã, às vezes entramos por caminhos tortuosos, falhas, erros, pecados; situações que não pretendíamos viver nem jamais pensamos em estar envolvidos. Para melhor entendimento, gostaria de contar um caso. Para evitar constrangimentos, não mencionarei nomes, local, etc.
Certo pastor começou a aconselhar uma jovem – mãe solteira, carente de orientação e precisando de ajuda. No desenrolar dos encontros, acabou se envolvendo emocionalmente com a moça e teve um caso com ela. Adultério! Pecado, desgraça; a esposa ficou sabendo. A liderança da igreja o afastou das funções pastorais. De repente seu mundo caiu. Jamais pensou passar por isso, não planejou algo assim para sua vida. Sua esposa, seus filhos, parentes e amigos ficaram chocados com tamanha traição.
Não podemos justificar tal ato; ele escolheu pecar, e as conseqüências são de responsabilidade dele. Por outro lado, devemos, agora, buscar o caminho da restauração. Será que existe restauração? Existem formas de ajudar uma pessoa que passa por tragédias pessoais? Quais são os passos necessários para vencer as tragédias pessoais? Com consertar os erros praticados?

2.RECONHECIMENTO DOS ERROS E PECADOS

Por causa do orgulho, muitos não se levantam após a queda. O orgulho os impede de reconhecer seus erros; temem pela reputação – “O que os outros vão dizer de mim?” Impede-os de dar os passos necessários para que o coração se abra para consertar e mudar, que tenham uma atitude certa: Errei, pequei; creio que Deus me perdoa, vou dar os passos necessários para o consertar o que foi quebrado.
Alguém disse: “O bom piloto tem condições de perceber a abrangência da pane e as conseqüências da mesma”.
Na geralmente nestes casos, não existe um verdadeiro arrependimento, e, sim, constrangimento e profundo remorso por ter sido descoberto o pecado cometido. Ou então se busca uma série de desculpas; na maioria das vezes religiosas: foi o diabo; o inimigo quer acabar comigo; tudo isso foi causado pela inveja dos outros. Às vezes, essas questões procedem, mas, em grande parte dos casos, são pura desculpa.
Segundo as Escrituras, Deus cura os de coração quebrantado e cuida de suas feridas (Sl 147.3). Quebrantamento é a capacidade de reconhecer os erros, enfrentar as conseqüências destes e buscar ajuda do Senhor para se recuperar.

3.A DOR DO RECONHECIMENTO

Enfrentar os problemas não é fácil. Nós, os cristãos, conhecemos o versículo: “Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido” (Lc 12.2). Contudo lutamos contra essa verdade, achando que nunca seremos descobertos.
Praticamos o pecado, incorremos no erro, lutamos contra nós mesmos, buscamos apoio e utilizamos diversas desculpas para continuar no erro.
Enfim acontece o que mais temíamos: o erro, ou o pecado, é descoberto; vêm a vergonha, a dor e a tristeza. E ocorre o pior: as pessoas que amamos, a quem nunca desejaríamos mal, acabam sofrendo por nossa causa; o pecado nunca fica no âmbito pessoal, outros sofrem conosco, são afetados, recebem o impacto dos erros cometidos. Em algumas situações acontecem traumas irreparáveis.

4. A DOR DA PERDA DO PODER
Perda da influência e da credibilidade é uma realidade que precisa ser enfrentada. Se pudéssemos medir a quantidade de perdas, certamente evitaríamos entrar em determinadas situações. Se conseguíssemos entender o grande amor que temos por nossos filhos, é claro que não entraríamos numa situação de adultério. Se percebêssemos o quanto machucamos nossa esposa, nunca praticaríamos nada contra ela. Nem magoaríamos nossos parentes, pais, amigos, etc.
Quando sofremos um conjunto de perdas, acumulamos um fortíssimo senso de baixa estima. A conclusão a que chegamos é que não temos nenhum valor.
“Deus não me ama!”
“Não mereço nem mesmo a morte!”
“Satanás teve uma grande vitória sobre minha vida.”
“Nunca mais conseguirei me recuperar!”

5.O CONFRONTO NECESSÁRIO

Carecemos de alguém que nos confronte, aponte nossos erros, com firmeza e objetividade, diga onde erramos e o que precisamos fazer para conseguir superar tudo e encontrar as soluções.
Quando temos a atitude certa e a disposição humilde de obedecer, encontramos a bênção do conserto.
Precisamos da confrontação. Ela é um grande estimulo para nossa vida, uma prevenção que nos ajuda a não afundar no lamaçal do pecado.
Confrontados em nossa vida familiar.
Questionados sobre nossa vida devocional, a oração e o serviço cristão.
Perguntados sobre a nossa vida financeira!
Como lidamos com nossos rendimentos?
Vivemos em pureza pessoal ou alimentamos impureza em nossa mente?
E outros confrontos próprios à realidade de cada pessoa.
Quando somos confrontados, precisamos entender que carecemos de humildade e de um coração sensível à voz de Deus.
Não podemos nos esquecer, de que Deus pode nos falar através de um irmão de nossa convivência.

6.OS CONSERTOS QUE DEVEM SER FEITOS
Pertencemos a uma geração que esconde os seus erros e foge deles. Nós nos iludimos, achando que os segredos resolvem todos os problemas; não estamos dispostos a reconhecer os erros praticados e a nos dirigir à pessoa ofendida e pedir perdão por aquilo que fizemos contra ela.
Aquele que roubou deve procurar a vítima e dizer de seu pecado e assumir seu ônus.
Aquele que defraudou precisa pedir perdão.
Aquele que ofendeu deve voltar e consertar. Pedir perdão ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, ao patrão.
Temos negligenciado essa verdade. E isso talvez seja uma das principais causas de depressão, ansiedade e de doenças psicossomáticas.

7. A LENTA RECUPERAÇÃO

Não devemos nos iludir, achando que só o fato de reconhecer os pecados praticados é suficiente para solucionar tudo. Algumas questões precisam ser resolvidas; curas precisam ser feitas; Deus precisa agir com sua infinita graça.
Relacionamentos precisam ser recuperados; a confiança perdida, resgatada. Algumas feridas necessitam de tempo para serem curadas.
Alguém disse: “Perdoar não é esquecer, mas sim se lembrar sem amargura.”

8. LIBERDADE PARA AJUDAR OUTROS

As Escrituras dizem: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). Deus pode usar toda situação e dor, marcas, cicatrizes e tristezas, para, no final, ajudar outras pessoas.
Tudo depende de nossa atitude, humildade, humilhação, reconhecimento do erro, disposição de mudar. Não podemos colocar a culpa nos outros nem no diabo, mas sim enfrentar os erros e pecados, conscientes de que Deus perdoa.
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 Jo 1.9.)
A recuperação é uma possibilidade, Deus tem interesse na restauração daqueles que pecam, o perdão é uma realidade, a perseverança deve ser uma forte marca na vida daqueles que precisam ser restaurados.

“ Tocadas por um coração carinhoso, estimuladas pela bondade, as cordas que foram quebradas vibrarão uma vez mais”. Fanny Crosby

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